"Há uma TÊNUE, porém GRANDE diferença, entre SER e QUERER ser. Para ser Mãe, Pai, Irmã, Irmão, Filha ou Filho, FAMÍLIA enfim, não basta apenas SER. Tem que QUERER SER. E assumir todos os riscos dessa opção, seja para o AMOR, seja para a DOR. Por isso há irmãos que NÃO SÃO amigos, porém AMIGOS que são irmãos. Por isso há filhos que ESQUECEM seus pais e pais que GANHAM filhos que não geraram. E por isso existem FAMÍLIAS que se formam pelo SIMPLES fato de QUEREREM e não apenas porque são. Por isso eu passei a AMAR uma criança que estava dentro de mim, ASSIM que soube da sua EXISTÊNCIA. Porque eu não apenas SOU a mãe do DANIEL. Mas porque eu QUIS ser a MÃE do Daniel. Porque a partir daquele MOMENTO, ele passou a ser o FILHO QUE EU QUIS TER. Obrigada por me escolher, meu amado filho." Juliana Priscila Mathoso, com inspiração subliminar de Luiz Felipe Abreu! =D

sábado, 27 de junho de 2015

27/06/2009 - Parte Final!



22h
     Após 18h de trabalho de parto, lembro-me apenas que já estava cansada mas com dilatação total. Porém, não sabia quando seria a “hora certa” do nascer, já que me sentia um animalzinho fora do ninho por ter que sair do ambiente que até que estava sendo acolhedor – porque a doula me ajudou a me teletransportar; e teria que entrar em uma sala fria, nada acolhedora, com luzes que mais pareciam holofotes de polícia sobre nós (eu e aquele serzinho tão lindo que também tentava fazer sua parte dentro de mim), e ser obrigada a ficar em uma posição absolutamente contra a lógica não só da fisiologia do parto, como da própria física: horizontal.


     Se alguma mãe se sente à vontade para dar a luz assim, excelente, mas isso é raro pois sabemos que quanto mais vertical estamos, melhor para o processo.. Na verdade, quanto mais À VONTADE (livres) para estarmos na posição que quisermos nessa hora, melhor!

     A doula já não poderia mais ficar junto, senti-me acoada, perdida, e hoje lembro que durante um segundo que eu tivesse tido talvez um pouco mais de coragem e confiança, talvez até acabasse burlando as “regras” e tivesse meu pequeno ali numa forte contração que veio naquela escadinha que colocaram para que eu subisse e me deitasse para “os procedimentos”. Não tive força suficiente.

22h30
     Acabei pedindo analgesia porque a dor era extremamente insuportável se ousasse pensar em deitar. Acabaram aplicando anestesia sabe Deus porquê, e de repente TODO processo que acontecia naturalmente parou, eu simplesmente não sentia mais absolutamente NADA a não ser a minha cabeça e muito, mas MUITO frio. Meu corpo tremia inteiro. Pediam para eu fazer força, eu só sentia que minha cabeça ia explodir. E nessas horas já rezava para que apenas meu filho “saísse dessa” com saúde.

     Provavelmente por causa do stress o meu bebê subiu, e realizaram a Manobra de Kristeller (mais um procedimento antiquado e absurdo) que nada mais é do que enfermeiros e quem estiver ali para ajudar, literalmente apoiem-se sobre sua barriga e empurrem o bebê para nascer. Obviamente que a essas horas inclusive o médico já tinha realizado uma episiotomia que além de ter me incomodado absurdamente após o parto, ainda fere minha alma e minha feminilidade até hoje (o famoso pique - corte na vagina, procedimento que também já está provado não se fazer necessário, salvo RARÍSSIMAS exceções - vide Dra. Melania DIVA).



23h05
     Em sua certidão de nascimento, consta 23h11 mas lembro de ter olhado no relógio quando você nasceu e vi 23h05. Com a graça de Deus o seu nascimento foi sem complicações apesar de não ter sido mais natural como a mamãe gostaria, mas mesmo apesar de tanta informação na época, ainda estava muito despreparada psicologicamente. E quando não estamos, não é? Hoje sou grata demais até mesmo à ignorância, para que pudesse aprender, às vezes de formas mais amargas, mas que com certeza, ainda com mais garras me fazem continuar! Você nasceu um bebê lindo demais, forte, 3.850kg, 50cm, Apgar 9/10. Foi fantástico! Realmente amor à primeira vista! Tudo que eu queria era que ficássemos ali grudadinhos nos conhecendo, mas obviamente que isso também não faz parte dos padrões.


     Provavelmente por causa da anestesia que me aplicaram, você dormiu logo após o nascimento e por cerca de 24h não queria mamar! Foi mais um período de medos e dúvidas mas que com a super ajuda da vovó querida, demos logo um jeito nisso, colocando você pele a pele sobre meu peito, ainda naquele frio de inverno, ficamos a nos esquentarmos um ao outro e assim você engatou no aleitamento, que se seguiu inclusive até mais de dois anos.

     Mas vi desde então como eu ainda tinha muito que aprender após tudo que passamos, meu filho! E como ainda tenho! Obviamente sou só GRATIDÃO por ter vivido tanta coisa já com você nestes seus SEIS magníficos anos de vida! Seis anos de muuuuuuuuuuuuitas lições e um único desejo: que você seja íntegro, alegre, satisfeito com o que possui e um incansável buscador pelo conhecimento. Que desista quando tiver que desistir para renovar as energias. Mas que retorne, em busca de seus sonhos com ainda mais vontade e fé na vida. Amo demais, meu primeiro amor verdadeiro! 





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