22h
Após 18h de trabalho de parto, lembro-me apenas que já
estava cansada mas com dilatação total. Porém, não sabia quando seria a “hora
certa” do nascer, já que me sentia um animalzinho fora do ninho por ter que
sair do ambiente que até que estava sendo acolhedor – porque a doula me ajudou
a me teletransportar; e teria que entrar
em uma sala fria, nada acolhedora, com luzes que mais pareciam holofotes de
polícia sobre nós (eu e aquele serzinho tão lindo que também tentava fazer sua
parte dentro de mim), e ser obrigada a ficar em uma posição absolutamente
contra a lógica não só da fisiologia do parto, como da própria física:
horizontal.
Se alguma mãe se sente à vontade para dar a luz assim, excelente,
mas isso é raro pois sabemos que quanto mais vertical estamos, melhor para o
processo.. Na verdade, quanto mais À VONTADE (livres) para estarmos na posição
que quisermos nessa hora, melhor!
A doula já não poderia mais ficar junto, senti-me acoada,
perdida, e hoje lembro que durante um segundo que eu tivesse tido talvez um
pouco mais de coragem e confiança, talvez até acabasse burlando as “regras” e
tivesse meu pequeno ali numa forte contração que veio naquela escadinha que colocaram para que eu subisse e
me deitasse para “os procedimentos”. Não tive força suficiente.
22h30
Acabei pedindo analgesia porque a dor era extremamente
insuportável se ousasse pensar em deitar. Acabaram aplicando anestesia sabe
Deus porquê, e de repente TODO processo que acontecia naturalmente parou, eu
simplesmente não sentia mais absolutamente NADA a não ser a minha cabeça e muito, mas MUITO frio. Meu corpo tremia inteiro.
Pediam para eu fazer força, eu só sentia que minha cabeça ia explodir. E nessas
horas já rezava para que apenas meu filho “saísse dessa” com saúde.
Provavelmente por causa do stress o meu bebê subiu, e
realizaram a Manobra de Kristeller (mais um procedimento antiquado e absurdo)
que nada mais é do que enfermeiros e quem estiver ali para ajudar, literalmente
apoiem-se sobre sua barriga e empurrem o bebê para nascer. Obviamente que a
essas horas inclusive o médico já tinha realizado uma episiotomia que além de
ter me incomodado absurdamente após o parto, ainda fere minha alma e minha
feminilidade até hoje (o famoso pique - corte na vagina, procedimento que também já está provado não se fazer necessário,
salvo RARÍSSIMAS exceções - vide Dra. Melania DIVA).
23h05
Em sua certidão de nascimento, consta 23h11 mas lembro de
ter olhado no relógio quando você nasceu e vi 23h05. Com a graça de Deus o seu
nascimento foi sem complicações apesar de não ter sido mais natural como a
mamãe gostaria, mas mesmo apesar de tanta informação na época, ainda estava
muito despreparada psicologicamente. E quando não estamos, não é? Hoje sou
grata demais até mesmo à ignorância, para que pudesse aprender, às vezes de
formas mais amargas, mas que com certeza, ainda com mais garras me fazem continuar!
Você nasceu um bebê lindo demais, forte, 3.850kg, 50cm, Apgar 9/10. Foi fantástico! Realmente amor à primeira vista! Tudo que eu queria era que ficássemos ali grudadinhos nos conhecendo, mas obviamente que isso também não faz parte dos padrões.
Provavelmente por causa da anestesia que me aplicaram, você dormiu logo após o nascimento e por cerca de 24h não queria mamar! Foi mais um período de medos e dúvidas mas que com a super ajuda da vovó querida, demos logo um jeito nisso, colocando você pele a pele sobre meu peito, ainda naquele frio de inverno, ficamos a nos esquentarmos um ao outro e assim você engatou no aleitamento, que se seguiu inclusive até mais de dois anos.
Mas vi desde então como eu ainda tinha muito que aprender após tudo que
passamos, meu filho! E como ainda tenho! Obviamente sou só GRATIDÃO por ter
vivido tanta coisa já com você nestes seus SEIS magníficos anos de vida! Seis anos
de muuuuuuuuuuuuitas lições e um único desejo: que você seja íntegro, alegre, satisfeito com o que possui e um incansável buscador pelo conhecimento. Que
desista quando tiver que desistir para renovar as energias. Mas que retorne, em
busca de seus sonhos com ainda mais vontade e fé na vida. Amo demais, meu
primeiro amor verdadeiro!




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