Eu não quero que defendam a minha bandeira. Eu quero apenas que não atrapalhem quem busca uma oportunidade de simplesmente querer o mais "simples". Não sofrer intervenções, a não ser que sejam necessárias, comunicadas, respeitosas, combinadas, quiçá pré planejadas inclusive como planos B, C, D, que sabemos, devem existir em todo planejamento de parto.
Mas como é
frustrante uma gestante ter que literalmente guerrear contra um sistema (e uma
sociedade) que te obriga a passar por padrões quando são APENAS protocolos para
gerarem mais receita ao$ próprio$ bolso$.
Tenho isso entalado há seis anos. Tenho alguma coisa que na
verdade ainda nem sei direito definir, ainda preso em meu peito. Não, não é um “coitadismo”,
um sofrimento, um vitimismo, pelo que não aconteceu como eu “gostaria” no meu primeiro
parto (e, vejam só que coisa, nos meus outros dois também). Isso não é
individualismo. Porque isso é mais do que querer apenas para mim, querer apenas
que EU passasse por um processo harmonioso em uma hora TÃO fundamental a todos
que vivenciam esse processo (mães, bebês, pais, acompanhantes, e na boa, a humanidade... vai dizer que um nascimento não te toca? Já imaginou então um que
a parturiente está consciente, ativa – efetivamente protagonizando o processo -
e plenamente satisfeita, em harmonia e
segurança?).
Mas claro, como eu disse, o que ficou entalado naquele
momento que provavelmente não digerimos – eu e trocentas mães que SABEM do que
estou falando – é a impotência diante de um sistema desrespeitoso, que te
obriga a sofrer procedimentos justamente quando o que você NÃO quer é qualquer
tipo de intervenção. Repito: não estou dizendo para você que QUER e aceita
quaisquer procedimentos no nascimento. Estou falando com quem sente que lá no
fundo, as coisas podiam ser diferentes. Quem sente desde a mais forte intuição até
o mais singelo desejo, de que aquele nascimento, o primeiro momento mais
importante da vida de uma mãe e um filho, “simplesmente deveriam ser simples”,
o mais simples possível, sem traumas
para ambas as partes, em harmonia, e, especialmente, em confiança, entrega e
repleto de boas lembranças.
Vamos lá.... Continuando no momento que parei de escrever sobre
o dia do parto do meu primeiro filho,para tentar digerir um pouco mais o que
acontecera depois de um dia inteiro de contrações – belíssimas diga-se de passagem;
chegamos à parte final. Aquela na qual eu perdi o processo de entrega e
confiança e dei lugar ao vazio, ao medo descontrolado (pois eu estava com medo
desde o começo, porém, sendo respeitada, em casa, e com acompanhamento da super doula nos momentos mais tensos, conseguia controla-lo para equilibrar
com a coragem e a fé); ao desespero.
E, pior, ainda tive que ouvir piadinhas
infames da “profissional” que me acompanhava, e que na verdade parecia que
estava ali mais para fechar com chave de ouro o momento desrespeitoso do que
trabalhar - já que nem seria ela quem iria fazer o meu parto! E por acasos do destino (!), não é que minha filha, nascida anos depois, de um parto totalmente humanizado diga-se de passagem, tem o nome da dita cuja e eu nunca imaginaria?
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